Mendonça faz alerta a Gilmar sobre escândalo do Banco Master
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, protagonizou um duro embate com o ministro Gilmar Mendes durante uma discussão sobre as investigações envolvendo o Banco Master. Gilmar questionou procedimentos adotados no caso e comparou alguns métodos investigativos a práticas vistas na Operação Lava Jato. Mendonça rebateu publicamente e afirmou que o Supremo está diante de uma das maiores fraudes financeiras da história do país. O relator também declarou que não age sob pressão da imprensa e que não tem medo de combater o crime. O episódio expôs divergências entre os ministros sobre a condução do caso.
A investigação sobre o Banco Master provocou um dos embates mais duros entre os ministros André Mendonça e Gilmar Mendes no Supremo Tribunal Federal. Relator de processos ligados ao caso, Mendonça reagiu às críticas feitas pelo decano sobre a forma como determinadas medidas vinham sendo conduzidas.
Durante uma sessão da Segunda Turma, Gilmar levantou preocupações sobre o uso de prisões preventivas e eventuais negociações de colaboração premiada, apontando semelhanças com práticas que foram alvo de críticas durante a Operação Lava Jato. O ministro argumentou que medidas cautelares não podem ser utilizadas para pressionar investigados a fazer delações.
Mendonça respondeu de forma enfática. Segundo ele, o julgamento não tratava da Lava Jato, mas das suspeitas envolvendo o Banco Master. O ministro classificou o caso como “a maior fraude financeira” do país e sustentou que as investigações apontam para algo que vai além de um crime convencional de colarinho branco.
O relator afirmou que os elementos reunidos apontariam para possíveis crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro, prejuízos ao sistema financeiro e até características de organização criminosa. Mendonça chegou a dizer que o caso apresentaria “contornos de máfia”, mencionando ainda indícios relacionados a armas e possível infiltração no sistema policial. As responsabilidades individuais, entretanto, dependem da conclusão das investigações e de eventual julgamento.
O momento mais contundente ocorreu quando Mendonça relembrou uma conversa que teria tido com Gilmar Mendes antes mesmo de assumir uma cadeira no Supremo. Segundo o relator, Gilmar teria afirmado que era necessário ter coragem para exercer o cargo de ministro da Corte.
Mendonça então deixou um recado direto durante sua manifestação: afirmou não ter medo de combater o crime aplicando a lei, ressaltou que também não teme absolver quem for inocente e declarou que sua atuação não é determinada por pressões externas. Em outro trecho, disse não buscar exposição na imprensa e afirmou que sua pretensão é aplicar a legislação ao caso.
O confronto ocorreu em meio a divergências mais amplas entre os dois ministros sobre a investigação do Banco Master. Gilmar chegou a classificar como um “erro crasso” a participação direta de Mendonça em conversas relacionadas a uma possível colaboração de Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco.
Mendonça, por outro lado, afirmou publicamente ter rejeitado a possibilidade de uma colaboração seletiva em que determinadas autoridades fossem mencionadas enquanto outras fossem preservadas. Para o relator, qualquer negociação deveria respeitar integralmente as regras legais e ser submetida aos controles previstos pela Justiça.
Apesar da troca de críticas, Gilmar posteriormente afirmou confiar na atuação de Mendonça como relator. Durante sessão da Segunda Turma, o decano declarou que divergências processuais não representam necessariamente uma ruptura entre os integrantes da Corte e reiterou confiança na condução do processo.
O Banco Master é alvo da Operação Compliance Zero e de outros desdobramentos investigativos relacionados a suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. O STF já analisou diferentes medidas cautelares e manteve prisões de investigados no caso.
As investigações permanecem em andamento e novas informações encontradas pela Polícia Federal continuam provocando repercussões dentro e fora do Supremo.





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