Nestlé corta 16 mil vagas, mas mantém fábricas no Brasil
A Nestlé está promovendo uma ampla reorganização global que prevê a redução de cerca de 16 mil postos de trabalho até o fim de 2027. A companhia também vem concentrando a produção em unidades consideradas mais eficientes e fechando ou transferindo operações em alguns mercados europeus. Uma fábrica centenária encerrou a produção na Alemanha, enquanto uma unidade de chocolates na Hungria deve deixar de produzir até o fim do ano. No Brasil, porém, a multinacional afirma que suas operações seguem normalmente. A empresa mantém um plano de R$ 7 bilhões em investimentos no país até 2028.
Uma das maiores empresas de alimentos e bebidas do mundo está atravessando um dos processos de reorganização mais relevantes de sua estrutura recente. A Nestlé confirmou que pretende reduzir globalmente cerca de 16 mil postos de trabalho até o fim de 2027, dentro de uma estratégia que envolve simplificação administrativa, automação, redução de custos e maior concentração de recursos em negócios considerados prioritários.
A própria companhia afirma estar acelerando uma mudança estratégica para tornar sua estrutura mais simples e produtiva. Entre as prioridades estão café, alimentos para animais de estimação, nutrição e segmentos de alimentos e snacks em que a empresa mantém posições fortes. A Nestlé também pretende ampliar o uso de serviços compartilhados, padronização e automação de processos internos.
Os efeitos dessa reorganização já aparecem em algumas operações europeias. Na Alemanha, a fábrica da marca Thomy localizada em Neuss encerrou a produção após mais de um século de atividade. A unidade empregava aproximadamente 145 pessoas e fabricava produtos como mostarda, maionese e óleo. Parte da produção foi transferida para outra fábrica alemã e parte para outros países europeus. A Nestlé justificou a decisão pela queda nos volumes, aumento dos custos e excesso de capacidade produtiva.
Na Hungria, outra mudança importante está prevista para a fábrica de Diósgyőr, especializada na fabricação de figuras ocas de chocolate, como produtos sazonais ligados a períodos comemorativos. A Nestlé informou que a produção será encerrada no fim do ano devido à redução da demanda por esse tipo de produto. A companhia procura um comprador para a unidade na tentativa de preservar o maior número possível de empregos.
Apesar das decisões na Europa e do programa global de redução de pessoal, a situação da Nestlé no Brasil é diferente. Informações falsas circularam nas redes sociais afirmando que a companhia estaria fechando fábricas brasileiras e que os 16 mil cortes ocorreriam no país. A informação não procede: o plano de redução de pessoal é global e os fechamentos divulgados até agora envolvem unidades no exterior.
A operação brasileira segue considerada estratégica pela multinacional. A Nestlé anunciou um ciclo de R$ 7 bilhões em investimentos no Brasil até 2028, destinado à modernização industrial, ampliação da capacidade produtiva, inovação e sustentabilidade. A companhia classificou o país como um de seus três mercados mais importantes no mundo e peça central para seu crescimento nas Américas.
Dentro desse pacote, fábricas brasileiras continuam recebendo novos aportes. A unidade de Araçatuba, em São Paulo, por exemplo, receberá R$ 540 milhões até 2028 para modernização, novas tecnologias e expansão de sua capacidade produtiva. A planta fabrica produtos de nutrição infantil, nutrição médica e soluções voltadas ao envelhecimento saudável.
A empresa também retomou uma unidade de produção de soro de leite em Carazinho, no Rio Grande do Sul, com investimento superior a R$ 60 milhões e planos de ampliar a produção do ingrediente utilizado em fórmulas infantis. Outra frente de crescimento está no café solúvel, segmento em que a operação brasileira projeta aumento expressivo das exportações.
Assim, embora a Nestlé esteja efetivamente cortando custos, empregos e capacidade produtiva em algumas regiões do mundo, não existe até o momento anúncio equivalente para o Brasil. Pelo contrário, os investimentos já confirmados mostram que o mercado brasileiro permanece entre os principais pilares da estratégia global da companhia.
O movimento revela duas realidades simultâneas dentro da mesma multinacional: enquanto algumas operações maduras passam por enxugamento e concentração produtiva, mercados considerados estratégicos continuam recebendo recursos para modernização e crescimento.





Comentários (0)
Comentários do Facebook